A cidade tinha uma cultura rica e distinta, assim como as roupas que esses cidadãos usavam. Porém os tempos eram difíceis. Ao longo de poucos anos diversas atrocidades aconteceram. Essas atrocidades, oriundas de divergências políticas e culturais, retiraram a felicidade de muitos cidadãos, no entanto um playground onde as mães e suas crianças brincavam alegravam, de certa forma, a cidade fronteiriça desse país. Não se sabe ao certo o número de crianças ou mães que ali estavam, porém, sabe-se que as crianças do playground brincavam, riam, caiam e choravam. Mas a naturalidade desses atos criava mais esperança e sobrepunha-se ao medo do futuro que lhes aguardava.
O playground tinha diversos brinquedos. Um balanço, uma roda, um emaranhado de barras de ferro em que as crianças ficavam escalando. Uma gangorra que deixavam as crianças cheias de emoções fortes e boas. Entretanto, as crianças pararam um minuto quando um clarão as cegou por instantes. Ao retornarem a si não viram mais suas mães que estavam nos bancos um pouco mais afastados do playground. Algumas crianças ficaram assustadas, mas de repente uma sombra negra apareceu no meio do playground transformando-se em uma senhora rechonchuda, de meia-idade que usava um avental.
- Olá crianças – disse a moça com pesar.
As crianças se entreolharam e cochicharam entre si. A moça podia ouvir o que as crianças diziam: “ela é mágica?”, “parece a merendeira”, “ onde esta a mamãe?”. Eis que de repente uma criança tomou coragem e perguntou:
- Você é mágica?
- De certa forma – disse a moça.
- Onde esta a minha mãe – perguntou a criança – não to vendo ela.
- Ela já vai chegar, criança - disse a moça – mas não se preocupe. É só vir comigo.
- A minha mãe também moço? – perguntou uma criança de mesma idade com um rosto de esperança e medo
- Vai demorar um pouco, mas ela logo vai vir – respondeu a moça
- Tem certeza tia?
- Pode confiar em mim – disse a moça de meia-idade - Agora eu vou pedir que vocês me acompanhem.
- Eu quero minha mãe – disse uma criança que parecia mais madura que as outras – não vou sem ela.
- Criança, esta na hora de ir - disse a moça com intensidade.
As crianças começaram a chegar perto da moça e em instantes a moça transformou-se em uma criatura encapuzada e desceu a sua foice. O jornal do dia seguinte mostrava um lugar que a tempo servia de esperança para a cidade e que agora servia como cicatriz das ações humanas.